terça-feira, 4 de agosto de 2009

Extracto do DVD “ Queremos dar-Te graças”


Se já sentimos o abraço de um amigo
Então sabemos bem a falta que nos faz,
Por isso é que lhe damos o sentido
De ser princípio fundador da nossa paz!


Este cantar polifónico inspira-se directamente na polifonia rural arcaica dos cantares de trabalho, como «Viva o nosso patrão de hoje» ou «Não corteis a oliveira», o primeiro recolhido em Cervães, na Casa da D. Marquinhas, mãe da Amélia, e o segundo recolhido em Marrancos, numa linhada em casa do senhor Abílio Araújo, interpretado por umas mulheres de Goães que espadelavam o linho. A letra e a melodia de base são de minha autoria e pedi ao António da Costa Gomes que o harmonizasse no sistema de sobreposição de vozes, a terminar no sobreguincho ou Fim. A nossa respiração dita as pausas e aqueles dois momentos em que ocorre um acorde dissonante dão-lhe uma dinâmica de ansiedade harmónica que é a sua natural ambição, após aquele melisma final na sílaba «paz». Que a prática futura o aperfeiçoe, é o que desejo.


José Machado

sexta-feira, 31 de julho de 2009

No Festival Internacional de Folclore de Braga.



A nossa primeira dança, «Caninha verde "Os sinos da sé"», foi construída a partir da melodia com o mesmo nome interpretada pelo senhor Catarino, de Aldreu, um homem, entretanto falecido, que tocava com a o grupo de Alcreu e com uma estúrdia constituída por vários músicos, incluindo o senhor Cardoso que toca concertina no grupo de Parada de Gatim. Conheci este conjunto de músicos na altura da celebração de Centenário da Coroação de Nossa Senhora do Sameiro, em 2004, porque eles responderam ao apelo de reunião dos grupos folclóricos para o evento «Vamos bailar à Senhora», evento de cuja concepção e organização o senhor Cónego Eduardo Mello me encarregou. Esta estúrdia de Aldreu, onde se incluía o senhor José Catarino, foi para mim um caso sério de inspiração, de apoio e de garantia de boa execução. Na altura estive para tirar partido desta cana verde cuja linha melódica acho notável, pela variedade de movimentos ou partes que a formam, mas não lhe soube apor qualquer letra pelo que ficou sem ser utilizada. Mas foi futuro e desafio: acabei por criar uma linha melódica para o canto, sem interferir na original e esta ficou como estribilho instrumental. A coreografia foi pensada a partir das marcas da cana verde: serrar e figuras, sendo que nas figura o «S» é de inclusão obrigatória, a definir o sentido de celebração contratual que é o sentido das canas verdes.


Esta segunda coreografia «Vir feirar» não está completa, mas está filmada o suficiente para espevitar a curiosidade. A melodia é «retirada» da composição para coro a 4 vozes que o compositor bracarense Manuel Faria criou e que se intitula precisamente «vir feirar». O compositor António da Costa Gomes apresentou, aqui há uns anos, esta melodia interpretada pelo coro de Dume seguida de uma coreografia pelo grupo folclórico da mesma terra. Na altura fiquei a pensar que a própria melodia era dançável, pois se trata de um vira. Não conheço as condições em que o Padre Manuel Faria terá recolhido esta melodia, mas a sua harmonização revela bem duas coisas: a sua percepção clara da função acompanhante da concertina durante a execução da estrofe (as vozes repetem tiroliroliro durante a execução da estrofe «empresta-me o teu chapéu») e a reiteração do coro «vir feirar». Estes dois movimentos do canto respondem a dois movimentos coreográficos, a dois passos ou estilos de marcação, um deles identificando o vira e outro induzindo um passo mais de passeio, semelhante a um passo galego ou também presente nos grupos de Guimarães, que é executado a par e com uma leve elevação do pé. O ir e vir da feira, a circulação de pessoas umas pelas outras e umas com as outras, a definição de espaços dentro da fila e do quadrado, ditaram a coreografia.



Estas imagens referem-se à coreografia da «lavrada», um vira criado numa linha melódica muito simnples para coroar a interpretação polifónica de um aboio ou canto de incentivo ao trabalho com os bois: «lavra, boi, lavra, no chão da Cortelha; repica, repica, na vaca vermelha. Ei, boi a lavrar, ei, boi!». A coralidade desta cantar, retomado do Cancioneiro Minhoto de Gonçalo Sampaio, foi criada pelo músico António da Costa Gomes, com um arranjo que consagra o cantar a «desquadro», circulando de uma tonalidade menor para outra maior, com estribilho instrumental dançável.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

No palco ( Tardes de Domingo - 2009)


Foi no dia 19 de Julho, pelas 16.30 horas, no palco da Avenida Central. O calor apertava, o sol batia de frente e foi tomando o palco por inteiro. Começámos com o «Malhão de entrada», uma coreografia com entrada a par, depois volteio de homens e mulheres à vez ao centro da roda, depois em fila e novamente a par, enquanto se ouve o estribilho instrumental e as «sextilhas», as tais quadras que têm uma finda de dois versos a rematar a ideia.


Na tocata apresentamos o clarinete em dó, as concertinas (dó, fá e sol), as braguesas, os violões, os cavaquinhos, o reque-reque, o bombo, os ferrinhos, as tréculas e as castanholas. O coro tem os sopranos e os altos, os tenores e os baixos. Gostamos da polifonia e introduzimo-la sempre que podemos, mas também cumprimos o carácter solista das composições, claro está.

Tardes de Domingo - 2009




















































segunda-feira, 27 de julho de 2009

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Saida a Tourém (Montalegre) - Festa de S. Pedro 29 de Junho de 2008



Esta saída do nosso grupo fez-se por amizade e reconhecimento ao nosso colega Cata, professor, homem natural do Minho, morador em Tourém, caçador nos tempos livres, há muito arreigado nesta terra transmontana e barrosã, terra de fronteira, terra receptiva a repertórios culturais, musicais, patrimoniais, etc. Em momentos anteriores encontrámos nesta festa uma bandinha galega, uma mini banda musical, formada apenas por intrumentos de sopro e percussão, metais. Esta banda fez a procissão e animou a festa. Fiquei entusiasmado com a ideia futura de esta banda ou outra semelhante poder interpretar um hino a São Pedro, composição que achei que faltava na festa para lhe dar mais densidade. Sou adepto de que os músicos produzam, criem, repertórios específicos para as terras, para as romarias, para as festas. Não sei porque é que as terras não hão-de ter um hino, uma marcha, um cancioneiro próprio de momentos festivos ou rituais. Podemos esperar que estas coisas caiam do céu, lá isso podemos... Mas aproveitar pretextos e atrevimentos não me parece de desprezar. Ao longo do ano de 2008 fui interiorizando a ideia de criar um hino a São Pedro; mandei perguntar o que se rezava na terra a S. Pedro, perguntei também por outras terras, até à minha tia Mercedes e a minha mãe, de Raiz do Monte. Fui chegando à conclusão de que andava tudo por uma oração específica: rogar a S. Pedro que nos abra as portas do Céu e nos feche as do Inferno. Um dia apareci com a toada eo Henrique não desgostou, ensinei-a ao grupo e não desgostaram, fui trabalhando o estribilho instrumental, fui conciliando tonalidade maior e menor, com entrada específica para a concertina. Ficou assim, como se ouve nesta gravação provisória, com um ritmo a precisar de ser melhorado mas já entrevisto e com necessidade de maior instrumental. Quanto à letra, saiu assim:
São Pedro, és a pedra basilar da nossa Igreja,
Com orgulho o nosso povo te festeja
E te rende devoção e amor eterno!
São Pedro, te rogamos pelo poder que Deus te deu:
Que nos feches as portas do inferno
E nos abras as portas do céu.
José Machado.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Breve História


A recolha e o estudo dos cantares polifónicos a capella, muito praticados e arreigados nesta região pelas pessoas do campo, proprietários e jornaleiros, mereceu desde sempre a atenção deste grupo, tendo o mesmo já editado uma cassete e o disco «Cantemos o S. João» com vários tipos e especímenes.

Por força das suas intervenções continuadas em múltiplas situações de solicitação e contrato, privilegiando sempre as ligadas aos fins da educação e do convívio, mas também em romarias, festivais e espectáculos específicos, esta Associação tem vindo a alargar os seus objectivos de pesquisa e de retoma, assumindo também, sem hesitações, os caminhos da criação. A variedade de formação académica dos seus elementos e a variedade de relacionamento dos mesmos com as esferas da produção e do consumo constituem-se como recursos expressivos e documentais.

Os seus trabalhos de animação inspiram-se, musical e culturalmente, nas vivências urbanas e rurais de festejos e de trabalhos, quer vividos pelos seus elementos, quer referenciados em documentos específicos, sempre com abertura à novidade dos sinais dos tempos, em termos de leitura e interpretação das fontes herdadas e em termos da compreensão e do estudo dos fenómenos da globalização contemporânea.


A Direcção da

Associação Cultural e Festiva «Os Sinos da Sé»

Escola EB 2/3 Dr. Francisco Sanches, Rua D. Pedro V, nº 1

4710-374 Braga