domingo, 16 de maio de 2010

Torre da Naia - casamento angloportuguês!

Diz a música popular:
"Já passei a roupa a ferro
já passei o meu vestido
amanhã vou-me casar
e o Manel é meu marido"
Fomos animar
um casamento angloportuguês
a noiva era lusa
e o noivo inglês.
e o mestre explicou:
"ó ai, ó ai
o segredo do casamento
is never say I"

terça-feira, 11 de maio de 2010

Casa de Saúde do Bom Jesus

Tarde de chuva.
8 de Maio.
Fomos à casa de Saúde do Bom Jesus em Nogueiró. Braga.
A Casa de Saúde Bom Jesus é um dos doze estabelecimentos de saúde geridos pelo Instituto das Irmãs Hospitaleiras do sagrado Coração de Jesus, uma Instituição Particular de Solidariedade Social, com fins de saúde no âmbito especifico da psiquiatria.

Ir tocar, cantar, dançar...actuar,  a um hospital dá uma útilidade ao nosso gesto e faz-nos perceber a pessoa humana em várias dimensões.

Como diz o professor Zé Machado, "É esta dimensão do outro e da presença dos outros nas nossas vidas que nos faz ser diferentes para melhor, estou certo."

domingo, 2 de maio de 2010

Breve história do grupo para os diversos fins

A Associação Cultural e Festiva «Os Sinos da Sé» assumiu a história do Grupo Folclórico de Professores de Braga, fundado no ano lectivo de 1978/79 na escola Francisco Sanches, com a finalidade de desenvolver unidades de estudo e recreio no âmbito das manifestações musicais e coreográficas que configuram aspectos da cultura portuguesa, também nas suas vertentes locais e regionais.


Tudo começou numa Escola e a história conta-se assim: no âmbito das acções de formação a realizar na escola Francisco Sanches, no ano lectivo de 1978/79, pelos professores, estes elaboraram um plano de acção que consistia em dedicar, ao longo do ano, uma semana de estudo e reflexão a uma área da nossa Cultura, na sua dimensão regional e nacional. De entre as áreas propostas o folclore foi uma das que recebeu o apoio entusiástico de meia dúzia de professores. O interesse e a paixão pelo folclore fizeram com que na festa escolar de fim de ano o Grupo actuasse pela primeira vez, embora com uma composição e uns trajes incaracterísticos sob o ponto de vista etnográfico. O Grupo perspectivou-se desde logo como entidade responsável pelo estudo, pesquisa e divulgação de práticas culturais diversamente situadas no tempo e no espaço, mas necessárias porque constituintes de um Património Cultural que tem na escola a função marcante, em várias áreas disciplinares, de poder transmitir-se como raiz e vector do progresso e do desenvolvimento humanos, no presente e no futuro.

A recolha e o estudo dos cantares polifónicos a capella, muito praticados e arreigados na região minhota pelas pessoas do campo, proprietários e jornaleiros, mereceu desde sempre a atenção deste grupo, tendo o mesmo já editado uma cassete com vários tipos e especímenes. Por força das suas intervenções continuadas em múltiplas situações de solicitação e contrato, privilegiando sempre as ligadas aos fins da educação e do convívio, mas também em romarias, festivais e espectáculos específicos, esta Associação, sob o formato instalado de Grupo Folclórico, tem vindo a alargar os seus objectivos de pesquisa e de retoma, assumindo também, sem hesitações, os caminhos da criação. A variedade de formação académica dos seus elementos e a variedade de relacionamento dos mesmos com as esferas sociais da produção e do consumo, do sector primário ao terciário, constituem-se como recursos expressivos e documentais, dos quais ainda haverá muito a esperar.


Esta pessoa colectiva teve e tem sede na Escola EB 2/3 do Agrupamento de Escolas Dr. Francisco Sanches, na cidade de Braga, ao abrigo de um protocolo estabelecido com o Ministério da Educação e com a Escola. Iniciou-se em 1979, mas só fez a sua escritura pública e o respectivo registo notarial em 20 de Julho de 1983, no Cartório Notarial de Braga; posteriormente, em 7 de Agosto de 1990, com publicação no Diário da República em 17 de Setembro de 1990, IIIª Série, página 11792, fez nova escritura para aprovação da denominação GRUPO FOLCLÓRICO DE PROFESSORES DE BRAGA – CENTRO DE ESTUDOS E DIVULGAÇÃO DE CULTURA POPULAR. Mas não se ficou por aqui e no ano de 2005 fez-se nova escritura de alteração dos Estatutos e da denominação, passando esta pessoa colectiva a denominar-se ASSOCIAÇÃO CULTURAL E FESTIVA «OS SINOS DA SÉ» – BRAGA, acolhendo quaisquer pessoas de bem na sua constituição. Em termos de identidade fiscal é o contribuinte nº 502414014.


Enquanto Grupo Folclórico, esta Associação mobiliza para as suas intervenções públicas as seguintes unidades culturais provenientes da cultura popular e tradicional das populações do Baixo Minho:
  • Cantares polifónicos tradicionais a 2, 3 e 4 vozes, em coro misto, recolhidos pelo grupo ou retomados de cancioneiros já publicados;
  • Cantigas e danças tradicionais: viras, chulas, malhões, danças de roda, cana verde, fandangos, recolhidas e recriadas pelo Grupo ou retomadas do repertório de outros grupos;
  • Cantares ao desafio;
  • Ritmos e percussões de caixas e bombos (grupo de Zés Pereiras ou Zabumba ou estrondo), acompanhando coros (cantigas a uma ou duas vozes em coro misto) ou instrumentos como o clarinete e a concertina (melodias populares e da tradição);
  • Cantigas populares que esclarecem a evolução musical da tradição, retomadas de cancioneiros, desde o século XVIII; 
  • Corais polifónicos de música religiosa, criados expressamente para o Grupo exibir na procissão do S. João, em Braga;
  • Cânticos do tempo própio e comum da missa católica, tomados de empréstimo ou de criação própria;
  • Romances tradicionais e popularizados, no género de cantiga ou de fado; 
  • Música instrumental, executada em estilo de estúrdia ou tocata onde se verificam os seguintes instrumentos: concertina, clarinete em dó, cavaquinhos, braguesas, violões, reque-reque, ferrinhos, castanholas, tréculas e bombo.

 O estilo das intervenções do grupo Folclórico de Professores de Braga pode caracterizar-se pelos seguintes descritores: 

- interacção com o público receptor, conversando sobre o sentido e a função das unidades culturais mobilizadas, apelando à participação na dança e no canto;
- uso de uma linguagem coloquial, onde pontuam as histórias e os ditos provenientes da literatura oral;
- co-ocorrência de intervenções verbais sobre aspectos da cultura tradicional e da cultura contemporânea, no sentido de ajudar o público a compreender ou a adquirir perspectivas de interpretação;
- apresentação do Grupo e do seu repertório em português, em francês ou em inglês;
- demonstração e mostra de aspectos ligados aos ofícios tradicionais, especialmente os relacionados com a confecção dos trajes, como o bordado, a fiação;

  
O Grupo apresenta-se vestido à moda camponesa da região de Braga na segunda metade do século XIX e primeiro quartel do século XX, usando trajes de cerimónia (traje de encosta), de festa ou romaria (traje de capotilha), de domingo e também de trabalho, trajes que identificam usos e costumes, lugares, freguesias (traje de Vale d’Este, traje de Sequeira), zonas ribeirinhas (traje da ribeira) e de montanha, reflectindo identidades e diferenças pessoais, sociais, patrimoniais, culturais.

(Texto elaborado por JM)

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Ensaio na biblioteca....

Dia 29 de Abril - dia internacional da dança

A Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva convidou o grupo Associação Cultural e Festiva «Os Sinos da Sé» para uma actividade de celebração do Dia Mundial da Dança, a ocorrer na Sala de Exposições da Biblioteca, no dia 29 de Abril (quinta-feira), a partir das 21h30.







«Todos os tipos de dança são considerados nesta celebração, mas a Biblioteca, este ano, decidiu pôr o acento na dança tradicional popular.

O grupo convidado irá aproveitar esta oportunidade para ilustrar algumas dimensões importantes das danças tradicionais minhotas, mostrando até o fruto da viagem de trabalho que o seu director artístico, o professor José Machado, fez no mês de Setembro do ano passado à Malásia, concretamente ao Bairro Português de Malaca, onde permaneceu 23 dias ocupado no desenvolvimento de conteúdos coreográficos com os grupos de folclore do Bairro, grupos esses que têm também algumas danças minhotas como raiz inspiradora.

 Tomando a dança como mecanismo social de regulação das distâncias entre os corpos, ver-se-á que ela é também reguladora de outras simbólicas culturais e mantém toda a sua energia motivadora das relações sociais nas comunidades e nos grupos que a desenvolvem.

Exemplificando as várias modalidades de inscrição da dança tradicional no tecido social (em roda, em fila, em quadrado, em cruz), os elementos do grupo dispõem-se também a partilhar experiências com todos aqueles que comparecerem a esta celebração.» (JM)


 (Depois do "vira" ter chegado a Malaca - "Vira di Bairu Português" - tornámos a trazê-lo para cá e aqui o estamos a cantar. Também andamos a aprender a dançá-lo, mas não há fotos, foi um exclusivo para quem lá esteve!)

sábado, 24 de abril de 2010

Vinho Verde, S.João e Pingo Doce

Outro dia. Outra visita. Parece igual? Parece.
Mas não é.
Não foi nada igual à outra visita.
Outras músicas, outros cantares, outros dançares.
Já se adivinhava.
Um cheirinho de S.João nesta visita ao Pingo Doce no BragaParque.
E vinho.

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sábado, 17 de abril de 2010

BragaParque - Pingo Doce - sexta-feira 16 de Abril

Pingo Doce. Venha cá.
E nós, «os Sinos da Sé», fomos.
Fomos produzir aquela alegria contagiante que o folclore minhoto inclui nos seus cantares e nas suas danças e assim nos passeámos pelos corredores e parámos naqueles espaços entre os produtos alimentares, ali junto do talho, mais além ao pé dos vinhos ou entre os vinhos e os congelados, depois à entrada, para interromper quem passava apressado e espantar quem ia já espantado de ouvir ao longe, ao pé das frutas e ao pé do pão. Foi uma experiência para repetir na próxima sexta-feira dia 23, a partir das 18.30 H.


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#5
Quem me dera dos teus lábios
Um beijo, leve que fosse,
Que eu havia de o brindar
Num vinho de pingo doce!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Páscoa em Braga 2010

Nesta semana esta Associação, remete-se ao silêncio e absorve os acontecimentos da semana santa.


#1: 31 de Março, Cortejo Bíblico «vós sereis o meu povo». Procissão de nossa senhora da burrinha.
Largo Senhora-a-Branca...









Procisão do Senhor «Ecce Homo».
Quinta-feira, 1 de Abril de 2010.




#2: na rua do Anjo, ainda não chovia e as pinhas ardiam








 #3:  começou a chover já a procissão ía a meio.








#4: «Ecce Homo»















#5: dia 2 de Abril,sexta-feira Santa, procissão do enterro do Senhor.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

maçãzinha...

Esta maçãzinha .... madura...
ouvi cantar .... e chorar

(na Câmara de Vila Verde, após a apresentação do Boletim Cultural, surgiu assim espontâneamente.)

... maçã vermelhinha... que me deu o caiador

(esta "maçãzinha" vem de Cervães, da casa do Costa. Da casa da mãe da Amélia. Que a canta, como se fosse pequenina e estivesse no campo com as jornaleiras da sua quinta.)

Genuíno cantar. Puro. Voz cristalina.

(a Amélia aparece no vídeo...depois é só ouvir)

D. João de Castro "Jornadas no Minho"


A notícia já foi dada neste blogue, o acontecimento ocorreu na Biblioteca Professor Machado Vilela de Vila Verde, no pretérito dia 29 de Janeiro, sexta-feira à noite, jogava o Braga contra o Sporting e ganhou.



Estas fotos foram enviadas pelo primo (João de Castro e Mello) do neto (J. de Castro e Mello Trovisqueira) do Dr. João de Castro, cuja obra, Jornadas do Minho, publicada pela primeira vez em 1906, foi inserida, em fac-simile, no nº duplo, 3 e 4, do Boletim Cultural da Câmara Municipal de Vila Verde, em trabalho do professor Doutor Aurélio de Oliveira.

O leitor tomará para si, se quiser, algumas razões para ler este livro do Dr. D. João de Castro, escritor vilaverdense do século passado, mas já nascido no século XIX.

1) O livro é uma preciosidade literária não só pela ortografia da época, mas pela linguagem e estilo, riqueza de vocabulário e modo de tratamento da descrição de gentes e de terras;

2) Há no livro uma memória documentada de património, de usos e costumes, de modas e tendências, de história das ideias: com referências históricas, regresso a lendas, evocação de personalidades, citação de autores, memória esta que é entretecida com uma narrativa de amores, afectos, paixões e estados de alma, onde o simbolismo das mulheres, uma persistente, outras ocasionais, mas todas com os traços da efemeridade do tempo, ocupa a estratégia do autor: o Minho é uma mulher belíssima, para uns amor declarado e persistente, para outros conquista ocasional, mas nunca indiferente a uma economia de desejo e de ansiedade;

3) Há no livro comentários críticos preciosos e de uma actualidade pós-moderna pertinentíssima, a fazer notar que os ecologistas avant la lettre não são um invenção. As notas de carácter etnográfico são absolutamente espantosas, a par das informações sobre práticas musicais, corais ou individuais, de orquestras ou de compositores consagrados. Quem se der ao trabalho, como nós fizemos, de restaurar a memória de sons populares como o Regadinho, o Malhão, a Caninha Verde, o Carro Americano, por exemplo, bem notará que os caminhos da tradição persistem e contrastam em flagrante, por costume e por invenção de momento, com esta abundância contemporânea: talvez a espontaneidade de ontem não seja a mesma de hoje no que toca a festas e romarias, mas, de resto, os sons fazem o seu caminho em todas as idades e épocas;

4) O Minho é um desejo de conhecimento, uma viagem no seu interior é uma paideia educativa, uma aprendizagem de tempêros! Qualquer dia haverá forma de fazer a viagem de caleche!Leiam e digam.









segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

"Carro amaricano"



Sexta-feira dia 29 de Janeiro de 2010.

Fomos a Vila Verde animar o lançamento do Boletim Cultural da Câmara Municipal.


O tema do Boletim homenageia o escritor e poeta D.João de Castro, nascido em Azurara, Vila do Conde, em 1871, trazendo a lume a obra "Jornadas no Minho" publicada pela primeira vez em 1906.

Logo nas primeiras páginas desta viagem diz o seu autor:

"Em romarias ou bailados campestres, o Carro Americano canta-se e dansa-se a par da Canninha Verde, do Regadinho e do Malhão, acompanhado pelo estalar das palmas no expressivo retornello:

Oh ai ! Oh Ai !
Oh ai, meu bem !
O carro americano
Vae p'r'a Póvoa sem ninguém! "

E assim tocamos e cantamos nestas jornadas.
Mais adiante na visita a Braga, D. João escreve (atente nesta ortografia - início do século XX!)

"Na tarde d'esse dia, fomos á Sé, onde um mellifero servo de samarra escura, á voz auctorizada do nosso companheiro de acaso, desengavetou, sôb os nossos olhos curiosos, todo o bric-à-brac que a Cathedral, tantas vezes viuva dos seus primazes, conserva com árras honorificas d'essas immoderadas núpcias."