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#08
Adereços
e acessórios: o chapéu, o ouro, o xaile de agasalho, a coroa de rei o lenço de
namorados, a algibeira, a saca e as chinelas.
Associados aos trajes tipificados estão vários adereços, nesta
exposição colocados propositadamente em destaque: os xailes, os lenços de
namorados, as sacas de transporte de bens pessoais, as algibeiras.
Ao usar um traje típico, torna-se padrão usar na cintura
a algibeira, podendo esta variar em tamanho, corte, feitio e decoração,
exibindo ou não um pequeno lenço branco com ponta apara o exterior; a decoração
é feita com missangas, vidrilhos, fitilhos e bordado a lã.
O uso na cintura de um lenço de namorados ou de pedidos,
a testemunhar a arte de bordadeira e a vontade de sedução torna-se quase
obrigatório na dinâmica de um grupo folclórico. Este lenço pode ser visto
também no pescoço dos homens, a revelar o compromisso amoroso com a possuidora
do mesmo. Nesta exposição apresentam-se, em caixilhos de protecção e exibição,
quatro exemplares, três deles bordados em pontos livres e outro em ponto de
cruz, a vermelho. A poética dos lenços demonstra o interesse da comunicação
amorosa e dos valores da propriedade e da família, em símbolos e marcas. O
lenço a vermelho foi bordado por Sílvia Malheiro, uma bordadeira de escopo
singular e requinte de pormenores de execução, pertenceu ao elemento desta
Associação Cecília de Melo, já falecida.
Esta exposição apresenta um lenço de namorados, feito na
forma de tapeçaria de parede, projectando-o como forma de arte decorativa. Esse
trabalho foi concebido por José Machado e produzido pelos elementos do grupo.
Todo o traje se faz acompanhar, em princípio, por uma
peça de agasalho, no caso o xaile de lã, suspenso no braço. Havendo capa
comprida, vai pelas costas, cobrindo todo o traje.
O recurso a peças de ouro para enfeite de pescoço, peito
e mãos é feito a gosto de cada possuidora delas ou credora da confiança de
outros. Ourar é, no folclore, um tratado de paixão e de orgulho pessoais. A
economia do ourar é uma filosofia de vida. É natural e decorre do sentido da
poupança e do fazer de património pessoal e familiar, a mulher possuir uns
brincos ou umas argolas, ter um cordão de ouro, uma peça, um trancelim, uma
cremalheira, uns alfinetes, umas libras ou meias libras, uma borboleta, uns corações,
umas cruzes, um relicário, anéis e pulseiras…
Mas, nesta exposição, as peças que «imitam» a função de
ourar são recursos da A. P. GALERIA
e destinam-se à venda em loja, podendo ser adquiridas.
Apresenta-se uma peça produzida em tear, a coroa de rei,
uma peça icónica no folclore minhoto. Traduz a longa duração do imaginário real
e da sua presença no património material de muitas casas e de muitos
monumentos, toalhas de mesa, colchas, bandeiras, pedras, quadros, etc.
Frequentemente se recorre a esta forma para a bordar em ponto de cruz no centro
de um lenço de namorados, ou para a bordar em ponto pé de flor nas costas de
colete de homem, ou para a bordar em vidrilhos no centro de um avental
feminino.
As chinelas podem ser pespontadas a branco e assumir
configurações conformes ao gosto de quem as manda fazer e de quem as faz.
Outras formas de calçado, nomeadamente ligadas a formas de trajar mais
funcional ou de cotio, ocorrem tanto em homens como em mulheres: botas, socas e
socos, chancas, sapatos, chinelos.
A indústria chapeleira em Braga teve nomeada e méritos
incontestáveis, perdurando no imaginário e em certas casas comerciais. A
decoração desta exposição com recurso a uma fantasia criativa em volta dos
chapéus, pretende homenagear as memórias da indústria e os ditos populares
ligados ao chapéu:
A boa cabeça, nunca faltou chapéu.
Chapéus há muitos…
Empresta-me o teu chapéu, Antoninho, meu amor.