terça-feira, 25 de julho de 2023

Em Esporoões - São Tiago

Este "Alargai-vos raparigas" é um chega pra lá (pois o terreiro é estreito) com um toque de gaita de foles dançado no salão paroquial de Esporões para celebrar São Tiago (Maior).



Ainda as Noites Brancas em São Victor

"Usos e Costumes"...nas Noites Brancas, a XVIII edição do Festival Internacional de Música Polifónica, organizada pela Junta de Freguesia de S. Victor - Braga no Largo da Senhora-a-Branca com a participação do Orfeão de Braga, do grupo “Gli Amici Appassionati” de Vigo (Galiza) e nós.


Nas Noites Brancas em São Vitor - Cantemos o São João


 

São João 2023 - Cantemos a Cidade

No concerto de 20 de junho ocorrido na Igreja de São João do Souto




 

terça-feira, 23 de maio de 2023

São João 2023 (2 de 2) - quadras saojoaninas para o desfile etnográfico - Malhão

 


S. João 2023

Ao São João

Eu hei-de ir e hei-de vir

Hei-de levar um amor

Só para me divertir

Na condição

De com ele me arranjar

Se o São João no rio

Nos quiser abençoar

 

E siga a rusga

Vamos para o São João

A cantar e a dançar

A viver a tradição

Que o santo ajuda

A alegria é redobrada

Viva o São João da Ponte

Viva o São João de Braga

 

Ao São João

Vou pedir um manjerico

Que torne a terra mais verde

E o mundo mais bonito

Que é devoção

Tudo a São João mostrar

Para que ele ajude a ver

E o povo possa mudar

 

E siga a rusga

Vamos para o São João

A cantar e a dançar

A viver a tradição

Que o santo ajuda

A alegria é redobrada

Viva o São João da Ponte

Viva o São João de Braga

 

No São João

A cidade tem que ver

Anda o povo na Avenida

A subir e a descer

Que é obrigação

A capela visitar

E deixar ao S. João

A promessa de voltar

São João 2023 (1 de 2) - quadras saojoaninas para o desfile etnográfico - Vira

 

Vira de S. João

(Desfile etnográfico 2023)

Se S. João bem soubera

S. João, S. João

Quando era o seu dia

S. João, S. João

Descera do céu à terra

S. João, S. João

Com prazer e alegria

S. João, S. João

 

S. João adormeceu

S. João, S. João

Debaixo da laranjeira

S. João, S. João

Caiu-lhe a flor por cima

S. João, S. João

S. João que tão bem cheira

S. João, S. João

 

S. João, casai as moças

S. João, S. João

Que vos fazem as fogueiras

S. João, S. João

E àquelas que as não fazem

S. João, S. João

Deixai-as ficar solteiras

S. João, S. João

 

Eu hei-de ir ao S. João

S. João, S. João

Inda que meu bem não queira

S. João, S. João

Deixai-o vós abalar

S. João, S. João

Farei à minha maneira

S. João, S. João

 

O' meu S. João da Ponte

S. João, S. João

Onde tendes a capela?

S. João, S. João

Na margem do rio Este

S. João, S. João

Não há outra igual a ela

S. João, S. João

 

Em Braga no Rio Este

S. João, S. João

‘Stá o santo precursor

S. João, S. João

O povo pára pró ver

S. João, S. João

A baptizar o Senhor

S. João, S. João

 

Em frente à vossa capela

S. João, S. João

Tudo tendes preparado

S. João, S. João

As padeiras e as doceiras

S. João, S. João

E as bandas ao vosso lado

S. João, S. João

 

Em Braga, na vossa festa

S. João, S. João

Fica tudo perfumado

S. João, S. João

Tudo são ervas de cheiro

S. João, S. João

Que S. João tem ganhado

S. João, S. João

 

Vinde ao S. João a Braga

S. João, S. João

E tocai na portaria

S. João, S. João

Que o santo vos abre a porta

S. João, S. João

Se vindes de romaria

S. João, S. João

 

As freiras cantam no coro

S. João, S. João

As cachopas no serão

S. João, S. João

Cantam as moças e as velhas

S. João, S. João

Na noite de S. João

S. João, S. João

 

S. João quer fazer casa

S. João, S. João

E' pobre, não tem dinheiro

S. João, S. João

Fazei casa, S. João

S. João, S. João

Que eu serei vosso pedreiro

S. João, S. João

 

S. João tem procissão

S. João, S. João

Com mais santos à porfia

S. João, S. João

Para verem a cidade

S. João, S. João

Que lhes faz a romaria

S. João, S. João


quinta-feira, 23 de março de 2023

Exposição AP – Adereços e acessórios


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#08

Adereços e acessórios: o chapéu, o ouro, o xaile de agasalho, a coroa de rei o lenço de namorados, a algibeira, a saca e as chinelas.

Associados aos trajes tipificados estão vários adereços, nesta exposição colocados propositadamente em destaque: os xailes, os lenços de namorados, as sacas de transporte de bens pessoais, as algibeiras.

Ao usar um traje típico, torna-se padrão usar na cintura a algibeira, podendo esta variar em tamanho, corte, feitio e decoração, exibindo ou não um pequeno lenço branco com ponta apara o exterior; a decoração é feita com missangas, vidrilhos, fitilhos e bordado a lã.


O uso na cintura de um lenço de namorados ou de pedidos, a testemunhar a arte de bordadeira e a vontade de sedução torna-se quase obrigatório na dinâmica de um grupo folclórico. Este lenço pode ser visto também no pescoço dos homens, a revelar o compromisso amoroso com a possuidora do mesmo. Nesta exposição apresentam-se, em caixilhos de protecção e exibição, quatro exemplares, três deles bordados em pontos livres e outro em ponto de cruz, a vermelho. A poética dos lenços demonstra o interesse da comunicação amorosa e dos valores da propriedade e da família, em símbolos e marcas. O lenço a vermelho foi bordado por Sílvia Malheiro, uma bordadeira de escopo singular e requinte de pormenores de execução, pertenceu ao elemento desta Associação Cecília de Melo, já falecida.

Esta exposição apresenta um lenço de namorados, feito na forma de tapeçaria de parede, projectando-o como forma de arte decorativa. Esse trabalho foi concebido por José Machado e produzido pelos elementos do grupo.

Todo o traje se faz acompanhar, em princípio, por uma peça de agasalho, no caso o xaile de lã, suspenso no braço. Havendo capa comprida, vai pelas costas, cobrindo todo o traje.

O recurso a peças de ouro para enfeite de pescoço, peito e mãos é feito a gosto de cada possuidora delas ou credora da confiança de outros. Ourar é, no folclore, um tratado de paixão e de orgulho pessoais. A economia do ourar é uma filosofia de vida. É natural e decorre do sentido da poupança e do fazer de património pessoal e familiar, a mulher possuir uns brincos ou umas argolas, ter um cordão de ouro, uma peça, um trancelim, uma cremalheira, uns alfinetes, umas libras ou meias libras, uma borboleta, uns corações, umas cruzes, um relicário, anéis e pulseiras…

Mas, nesta exposição, as peças que «imitam» a função de ourar são recursos da A. P. GALERIA e destinam-se à venda em loja, podendo ser adquiridas.

Apresenta-se uma peça produzida em tear, a coroa de rei, uma peça icónica no folclore minhoto. Traduz a longa duração do imaginário real e da sua presença no património material de muitas casas e de muitos monumentos, toalhas de mesa, colchas, bandeiras, pedras, quadros, etc. Frequentemente se recorre a esta forma para a bordar em ponto de cruz no centro de um lenço de namorados, ou para a bordar em ponto pé de flor nas costas de colete de homem, ou para a bordar em vidrilhos no centro de um avental feminino.

As chinelas podem ser pespontadas a branco e assumir configurações conformes ao gosto de quem as manda fazer e de quem as faz. Outras formas de calçado, nomeadamente ligadas a formas de trajar mais funcional ou de cotio, ocorrem tanto em homens como em mulheres: botas, socas e socos, chancas, sapatos, chinelos.


A indústria chapeleira em Braga teve nomeada e méritos incontestáveis, perdurando no imaginário e em certas casas comerciais. A decoração desta exposição com recurso a uma fantasia criativa em volta dos chapéus, pretende homenagear as memórias da indústria e os ditos populares ligados ao chapéu:

A boa cabeça, nunca faltou chapéu.

Chapéus há muitos…

Empresta-me o teu chapéu, Antoninho, meu amor.


Exposição AP – O traje de Vale d’Este

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#07



Esta tipificação de trajar, projecta o imaginário de usos e costumes para situações de mistura, reflectindo mudanças e acomodações de gosto e de mercado, evocando debates sobre a influência dos ambientes urbanos nas vivências da ruralidade. 

O uso ou recurso a chapéus de feltro, fazendo jus à cidade de Braga como centro de chapelaria, num passado afastado, mas sempre lembrado, permite que em Braga se fale da variação de dois modos de trajar, o de Vale d’Este e o de Sequeira, duas freguesias da periferia urbana. As diferenças assentam em curiosos pormenores de apropriação, significativos quando ajustados a questões de identidade: as formas do chapéu e a guarnição decorativa dos mesmos, num a copa rasa, noutro a copa redonda, num plumas e pompons, fitas de veludo pendentes para a nuca, noutro com um pequeno espelho na frente; os coletes diferem em cor e os aventais, tecidos no tear, variam em cores e feitios, no primeiro dominam as riscas verticais, no segundo os puxados. 



A diversidade de uso e as regras de combinação nem sempre respeitam um padrão, dando a tipificação lugar a variação de acordo com os recursos patrimoniais.

Exposição AP – Lavradeira em traje de feirar

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#06

As formas de vestir que tipificam as situações mais funcionais da vida familiar e social, como sair para ir à venda, ou sair para visitar familiares, ou sair para fazer os recados, ou sair para ir à missa, ou sair para ir à cidade feirar, levam a mulher a cuidar pormenores de imagem, cobrindo-se mais ou menos, consoante as situações ou locais a frequentar.


O padrão mais frequente combina uma saia, preta ou de cor, sem bordados ou com bordados discretos, um avental renovado, liso ou debruado com uma fita simples, sem bordados, uma camisa ou uma blusa, aquela com bordados simples, esta conforma a variedade do tecido estampado, um lenço cruzado no peito, ou a fechar na cintura, um colete mais vistoso, muito ou pouco bordado, um lenço na cabeça, apertado das mais variadas formas.

No folclore local, a maior variedade de formas de trajar consiste nesta tipificação de trajar à lavradeira, conjugando o decoro pessoal com a vistosidade e a ousadia de adereços ou acessórios.

 

Exposição AP – Traje de Encosta, de lavradeira proprietária

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#05

Esta forma de trajar toma-se como paradigma de uma situação de bem-estar patrimonial, podendo espelhar na confecção os critérios mais exigentes de qualidade de tecidos, de formas e feitios de corte, de acessórios de composição (botões, fivelas, rendas, fitas, vidrilhos, galões).


Nomeado como «traje de encosta», em zonas de montanha, por contraste com formas de trajar dos vales ou de zonas de ribeira, ou beira-rio, este modo de trajar, predominante na cor preta, associa-se ao uso de quatro peças identitárias: na cabeça, o uso de lenços de seda ou lenços-tapete, muito disputados e demonstradores da variedade de gostos e de recursos; no tronco a jaqueta muito guarnecida com fitas e com bordado; na cintura a saia pregueada no cós, rodada e forrada na base com tecido de veludo e bordada com vidrilhos; o avental em tecido, , quase a cobrir a frente da saia, pregueado e muito bordado com vidrilhos. Os adereços ou acessórios mais frequentes são a quantidade de ouro exibida ao peito, a algibeira especialmente cuidada e decorada, a meia branca rendada e as chinelas de verniz.

Este tipo de trajar tornou-se uso de longa tradição no ritual de casamento, ganhando o nome de «traje de noiva» quando confeccionado especificamente para esse acto, com os adereços e símbolos respectivos: algibeira, cordões e peças de ouro no peito, lenço branco na cabeça, ramo de flores de laranjeira na mão, capa longa de agasalho pelos ombros, sombrinha.