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quarta-feira, 10 de julho de 2013

Nós vemo-nos assim!


(Fotografia extraída da página do facebook de Luís Filipe Mourão, tirada por ele próprio e autorizada a ser retomada por nós. Obrigado. cf. https://www.facebook.com/photo.php?fbid=548151311911694&set=t.100000450584411&type=1&theater)

Assim nos expusemos mais uma vez, mais um ano e sempre, como cantámos já em outra ocasião. A fotografia capta um momento, uma ocasião e um processo cultural. O momento é o da passagem do grupo a cantar pelo lugar, numa altura em que o sol inundava o poente e se expandia pela Rua do Souto criando um foco de luz que é todo porosidade ao irreal e ao transcendente. A posição da câmara à altura dos olhos do romeiro ou espectador, em plano de conjunto, com alinhamento de verticalidades várias, gerou um fotografia documental. A ocasião foi a da passagem da procissão da Rua do Souto para a Rua de S. Marcos, cortando a meio a esplanada d'A Brasileira, com os toldos a fazerem de espelhos reflectores de  luz para o edificado e criando dois planos na horizontalidade: no solo, o amontoado de povo que assiste com sinais evidentes de atenção e, no alto, a divisão do espaço entre árvores, casario e céu. O processo cultural é o da nossa participação na procissão dos santos do mês de Junho no dia de S. João, nesta cidade de Braga, a 24 de Junho. A nossa participação faz-se num estilo de representação folclórica, trajados à moda da sociedade rural e urbana dos primeiros quartéis do século passado, figurando atitudes de vivência religiosa que se consideram na tradição cultural: a interpretação de cânticos religiosos, o desfilar em agregação quase espontânea de povo (sem formalismos exagerados de desfile ou exposição dos corpos); a finalidade da participação não é tanto a reprodução de um quadro historicamente plausível, mas o uso da forma tradicional para afirmar a vontade contemporânea de exprimir na procissão um cantado significativo e uma presença cultural do folclore que ainda mantém no nosso presente uma vitalidade muito expressiva em termos de socialização, de reflexão e de afirmação de valores. Posto por JM

terça-feira, 11 de setembro de 2012

"Guadalupe" 2012

Aconteceu no passado dia 9 de setembro. Foi uma tarde de folclore animada pelo grupo Dr. Gonçalo Sampaio e por nós.


O cartaz alusivo às festividades não o diz, mas os grupos começaram a festejar na Avenida Central, em frente à Arcada, onde executaram uma dança e depois seguiram avenida fora e subiram a rua de S. Gonçalo, atravessaram de esguelha o Campo Novo e subiram os escadórios de Guadalupe, sempre a tocar. O tempo não estava quente demais e o povo que seguiu os grupos não se arrependeu.


 O Grupo Folclórico Dr. Gonçalo Sampaio é uma referência incontornável no conjunto dos grupos da região e do país, não só pela sua antiguidade (1936), mas sobretudo pela preservação de longa duração que faz das suas práticas de trajar, de cantar, de tocar e de dançar, mantendo-se fiel a um método de representação folclórica. Todos os grupos o tomaram e tomam como fonte de aprendizagens e um dia, quando puderem dispor de um museu próprio, todos ajuizarão melhor do alcance do valor do seu património e do seu percurso artístico. Nós, quando nos constituímos como grupo folclórico de professores de Braga em 1978/79, fomos beber a esta fonte e até hoje nos temos empenhado com os desafios que nos lançaram.



Executam com fidelidade a um estilo, cuja herança justificam e de que se orgulham. Os trabalhos etnomusicais do professor Gonçalo Sampaio (1865-1937) inspiraram a sua génese e balizam as suas memórias, mas é às práticas folclóricas de recolha e fixação do repertório do professor Joaquim Mota Leite (1900-1981) que devem a sua identidade. Lançaram em 2011 um livro memorial dos seus 75 anos, Um Sonho do Coração, cuja leitura recomendamos a todos.

 
 Aqui já somos nós, Associação Cultural e Festiva «Os Sinos da Sé». Estamos a dançar de braços levantados... e a fotografia só precisa que se diga isto por razões de contra-luz ...


... em relação ao verde das tílias do parque de Guadalupe que àquela hora recebiam o sol ainda por cima do casario... 


... mas já a pedir bicos de pés para se recolher dali a pouco. Tudo se acomoda ao contexto em que se faz e a festa da Sra da Piedade e de S. Marçal teve o condão de nos satisfazer o dia, consolidando relações de amizade e de cooperação, espevitando críticas e reparos, mas estimulando sempre as dinâmicas de animação cultural dos lugares e das comunidades.



Esta dança anda no cancioneiro de César das Neves desde 1895, recolhida em Póvoa de Lanhoso e enviada para a colectânea por Gonçalo Sampaio, com indicação coreográfica de se dançar muito ao tempo das invasões francesas, figuradamente como então era usual. Na letra se diz que a balsa de quatro tem muito que bere...

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Barrada 2011 - primeiro apontamento

Este primeiro apontamento sobre a festa da Imaculada Conceição em Barrada, no Alentejo é de silêncio, é de palavras contidas





A nossa presença na festa decorreu e tem decorrido de um acto de amor: a Amélia Freitas, depois de enviuvar, refez a sua vida com o Chico Rato, alentejano dos sete costados, homem da restauração  no «Pátio Alentejano» em Évora, membro dirigente da Associação Cultural de Barrada, cantador, animador. A festa da padroeira, Nossa Senhora da Conceição, acontece naquela capelinha do lugar e consta de missa, procissão e outras actividades festivas, desde a véspera. Nós temos ido para cantar a missa, fazer a procissão e mostar os nossos bailes. É uma jornada de viagem demorada, sete horas para lá, seis para cá, conforme as paragens de conveniência. O senhor padre Manuel lidera as cerimónias e valoriza muito bem a dimensão popular que a tradição cunhou nos festejos: a procissão corre as ruas de Barrada, com instrumental da banda dos bombeiros de Alvito, com reza dos mistérios do terço e cantos processionais da nossa parte. O povo segue em filas com as velas acesas. Há uma ou outra porta entreaberta, mas a aldeia está sempre mergulhada no maior sossego, com tantos pormenores de habitabilidade como de isolamento. Ficam as ruas abençoadas, os caminhos, as casas e os campos. Costuma estar mais frio que calor quando a cerimónia recolhe à capelinha, por isso este ano os bailes foram no salão da sede cultural, ali ao lado, onde se almoça e se janta, onde está o bar e todos os serviços associativos. As pessoas estimam-nos e a relação criada passa já por apertos de coração: existe uma empatia de saudação, mas também de conversa, de conhecimento progressivo, Já nos vemos envelhecer juntos e fazemos sempre votos para mais um ano: «chorai olhos, chorai olhos / que o chorar não é desprezo / também Maria chorou / quando viu seu filho preso» - foi assim a moda alentejana entoada pelo ponto e erguida pelo alto. (Escrito por JM, em 13/12/2011)
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