Tomemos como exemplo de um grupo um trabalho de croché.
Toda a sua perfeição foi conseguida ponto a ponto, laçada a laçada.
O conjunto é superior às partes, mas cada parte tem a sua importância absoluta no conjunto.
Sendo assim, para se falar de um grupo a comparação chega e sobra.
Daqui se poderá inferir que um grupo nunca atingirá a perfeição do croché e ainda bem, porque a imperfeição do humano é uma categoria estética.
Portanto um grupo será sempre uma junção de imperfeições.
Mas se cada parte, na sua absoluta singularidade de defeitos, se quiser juntar a outras com a ideia de fazer um grupo, é melhor que passe a estimar a ideia de conjunto em desfavor de seu narcisismo singular.
Resta um problema: alguma vez uma junção de partes imperfeitas pode originar um grupo com piada?
A minha resposta é a do repertório das bandas: cada banda aperfeiçoará um repertório de virtudes que esteja no seguimento de suas imperfeições.
Sobra para o maestro a responsabilidade de ensaiar o melhor que souber e puder a junção das partes.
Outro problema: sendo o maestro uma parte absolutamente imperfeita, o seu trabalho é uma ilusão.
Mas é de ilusões que vive até o croché!
(Posto por JM/FEV/2014)