segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Concerto para a Junta de Freguesia de S. Vicente

No dia 6 de Dezembro no auditório da Escola Secundária Sá de Miranda, às 21.30, vamos apresentar poemas de Sá de Miranda.

(foto de Maio de 2010 quando em Vila Verde apresentamos pela primeira vez "Sá de Miranda")











Fica aqui este "Vai de corredoira" pelo professor José Machado:

Vai de corredoira / Quando vai dond’ela / vai de corredoira

(Melodia recolhida e harmonizada por Joaquim Santos – que nos disse ter sido seu pai a ensinar-lha e que se referia às «pressas de conversar com as raparigas» - que ele usou em composições de rapsódia. Retomamos a sua harmonização e acrescentámos-lhe uma composição melódica inspirada em variações de «malhão», com versos inspirados em Sá de Miranda – os dele vão em itálico, os nossos em tipo normal – para cumprimento de crítica social e catarse.)

Quando um homem ilustrado
Nos «vai abrindo ao mundo»(1)
Fica-lhe o povo obrigado
Torna-se o chão mais fecundo

Portugal precisa, é
De homens de um só parecer
De um só rosto, de uma fé,
D’antes quebrar que torcer

Quem justiça brada
Contra as confusões
Paga à descarada
Muitas comissões

Contra os poderosos
Contra a iníqua lei
Contra os invejosos
Contra o próprio rei

O furto é de todos visto
E o país se despovoa
Ninguém se dá por benquisto
Sem as graças de Lisboa

O mal depressa se alcança
Mas o bem tarda em chegar
Corre-se atrás da mudança
Mas não se vê melhorar

Anda o mal no vale
Anda o mal na serra
E razão do mal
É sempre a panela

Contra os poderosos
Contra a iníqua lei
Contra os invejosos
Mesmo contra o rei

É preciso um temporal
Mas não doença nem guerra
Para limpar o lamaçal
Que já cobre a nossa terra

Se já dizem que o calar
É de elevado saber
Eu digo que o protestar
Algum bem há-de colher

E que mais farei
Quando tudo arde
Seja pela Grei
Qu’ inda não é tarde

Para algum encanto
De razões disponho
Às vezes me espanto
Outras me envergonho
 
(1) António Ferreira (1528-1569 Carta IX)

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